quarta-feira, 11 de julho de 2012
O polêmico cardeal se vai
sábado, 7 de abril de 2012
O Paradoxo do Grande Inquisidor
Á noite, na prisão, Jesus é visitado pelo velho sacerdote que explica o seu ato: Ele tinha que ser preso, pois do contrário destruiria toda a Igreja e a Humanidade entraria no caos. Ora, a mensagem maior de Jesus é de que somos livres, mas os homens não estão preparados para serem livres. Por isso a Inquisição existe e por isso tantas pessoas seguem cegamente o que a Igreja diz. Se Cristo lembrasse aos seus fiéis de então isso, eles entrariam em crise, pois são felizes assim, não tendo que conviver com o dilema de escolher o melhor caminho porque os sacerdotes farão isso por eles.
Essa história não é minha. Ela pode ser encontrada no livro Irmãos Karamazov do escritor russo Fiodor Dotoiévsky. Faz parte de um poema que um dos irmãos criou. O sentido do poema é demonstrar que as religiões são mentirosas, que elas são placebos para amenizar a dor de ter de fazer as suas próprias escolhas. Esse era o sentido que o autor do poema, o cético e intelectual Ivan, queria passar (essa é apenas a visão do personagem e não do autor; Dotoiévsky era cristão ortodoxo devotíssimo).
Essa história me lembra uma frase famosa do pensador francês Paul Claudel que é mais ou menos assim: "A maior lição do Cristianismo não é de que Deus nos protegerá, mas que Deus confia em nós". Por confiar em nós nos concedeu o livre-arbítrio. Para que não fossemos condenados por nossos pecados fez com que seu Filho morresse na cruz. Resumindo, o amor de Deus por nós é tão grande que nos presenteou com a liberdade.
No entanto, como uma religião de amor e paz pode ser capaz de conceber a Santa Inquisição? Um dos argumentos do velho inquisidor é de que tudo o que Jesus falou era muito bonito na teoria, mas na hora de ir para a prática as coisas deveriam mudar. O homem não estaria preparado para ser livre. A Igreja deveria tutelá-lo até ele estar pronto. E nesse caminho ela desandou também, uma vez que ela também é feita por homens, como todos os outros falíveis.
Chamo isso, essa desvirtuação, de Paradoxo do Grande Inquisidor. Por mais pacífica que for a religião ela pode estar passível de desvirtuar o seu caráter, já que ela é passível de errar (afinal, são homens que a administram). O que impede isso? A renovação da sua mensagem original. É preciso fazer o que o Grande Inquisidor não fez: reencontrarmos com Jesus. Ouvirmos suas palavras de novo, como se fosse a primeira vez.
Qual o maior símbolo da renovação da mensagem cristã que a própria Páscoa? A ressurreição de Cristo, simbolizando o desafio á própria morte. O esquecimento também pode ser uma forma de morrer. O esquecimento é o túmulo dos ideais. Deixo como proposta para vocês a renovação não só da vida, que a mensagem de Cristo traz, mas a renovação da própria mensagem.
Antes de ir devo contar o final da história do inquisidor: o velho e sisudo sacerdote conta todas as razões que o levaram a prender Cristo, mas no fim decide libertá-lo. Sua prisão será o bastante para convencer o povo de que era mais um falso messias. O liberta para que vague pelas ruas como um mendigo. Se voltar a atiçar seus fiéis, será preso novamente. Jesus sai da cela, mas antes de ir embora dá um beijo na testa do inquisidor e diz o seguinte senão me engano: "compreendo tudo o que você disse, mas ainda assim meu amor é mais forte."
sábado, 24 de setembro de 2011
O curioso caso do Rabi Emmanuel Muuyal
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| O Túmulo de Rabi Shalom Imanu El-Muyal. Foto: Equipe Desvairada Baricéia. |
Tambor de Mina
| Pórtico da Casa da Mina Reino de Daomé de Xapanã. Foto: Pai Jean de Xapanã. |
-Autuar: quando alguma pessoa está incorporando um vodun ou encantado diz-se que ela está autuada.
-Encantado: toda aquela pessoa que não conheceu a morte, que foi para um plano além deste sem ter passado pela morte. Chama-se encantaria o ritual em que se chamam os encantados ;
-Vodun: o equivalente ao Orixá na Umbanda, é uma entidade mais evoluída. Um encantado pode se tornar um vodun, portanto;
-Vodunsi: nome dado á pessoa que incorpora um vodun;
sábado, 16 de julho de 2011
Santa Tolerância!
quarta-feira, 1 de junho de 2011
Ateus: um delírio?
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| Campanha dos agnósticos e ateus na Inglaterra em 2009: está escrito no ônibus "provavelmente Deus não existe/ pare de se preocupar agora vá curtir a vida". |
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| Giordano Bruno |
| Michel de Servet |
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| São Francisco de Assis |
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| Deus abençoa o Sétimo Dia, William Blake (1757-1827). |
quinta-feira, 26 de maio de 2011
O sertão vai virar mar, o mar vai virar sertão...
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| Beato na Bahia, Pierre Verger. |
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| Beatos: boneco feitos em goma de mandioca por Demóstenes Fidélis e Lusyennir Lacerda. |
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| Estátua construída em Juazeiro do Norte atrai todo ano milhares de devotos do "Padim Ciço". |
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| Profeta Gentileza |
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| Os Tupinambás em ilustração do livro do viajante alemão Hans Staden. |
quinta-feira, 19 de maio de 2011
O enigma de Canudos II
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| A historiadora Jacqueline Hermann, ao lado do historiador Bruno Cerqueira, fala em Simpósio do Instituto D. Isabel. |
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| D. Antônio Macedo Costa, bispo do Pará: maior defensor da Romanização e crítico da República. |
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| Ilustração do Arraial de Canudos. |
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| O corpo de Antônio Conselheiro, 1897. |
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| A Igreja de Santo Antônio no Arraial de Canudos. |
sexta-feira, 29 de abril de 2011
Tempo de reformas
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| Johann Teztel |
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| Lutero na Dieta de Worms. |
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| Liga Schmlkald. |
sábado, 23 de abril de 2011
Mensagem de Páscoa
sábado, 16 de abril de 2011
Andar com fé eu vou...
Hoje, por exemplo, o assunto que dominou em nossa conversa foi a religião. A veracidade da Bíblia foi o que originou a discussão. Ora, a Bíblia é a compilação dos escritos de vários homens em diferentes períodos. Nada mais natural que seja contraditória, uma vez que foi escrita por homens que tinham personalidades distintas e com elas maneiras diferentes de entender a tradição judaica. O que a Igreja Católica tentou fazer foi torná-la mais coerente e, claro, apoiar sua legitimidade, por isso muitos evangelhos apócrifos foram desconsiderados.
O cristianismo nasceu como um movimento extremista (no sentido de atacar radicalmente o status quo), pois ele pregava uma volta á tradição, sendo que, na realidade, tratava-se de uma nova interpretação - o Deus que se faz homem é algo novo. Extremismos não sobrevivem por muito tempo, para isso eles tem de se adaptar e foi o que aconteceu. O cristianismo tornou-se uma religião subversiva e, com a ajuda do apóstolo Paulo, universal. Somente com Constantino ela se torna temporal, ela se une ao poder, tornando-se uma instituição cada vez mais poderosa (atingindo seu auge durante a Idade Média). Nesse processo, muito foi ficando para trás, intencionalmente ou não.
Acredito, como futuro historiador, que não podemos esquecer que a religião é uma tentativa do ser humano entender o sagrado ( ou a experiência sagrada como já disse aqui) e justamente por isso está carregada de suas limitações e qualidades. Embora tente ser transcendental, a religião é marcada pelo tempo. O cristianismo hoje não é o mesmo da Idade Média ou dos seus primeiros anos, isso está claro. O tempo muda e com ele os homens e sua percepção sobre a vida.
O sagrado é algo transcendente, é a nossa percepção sobre ela que muda (o que chamo de religião). A fé, no entanto, nem sempre é suficiente para sustentar uma religião: geralmente precisa de rituais para que os ensinamentos não sejam esquecidos e de certa dose de racionalismo para que não se transforme em pura alienação (mas nós todos sabemos que se transformar em pura alienação é muito mais conveniente para muita gente).
Um de nossas colegas tentava entender a razão da fé em um livro como a Bíblia. Ora, o que te afeiçoa a certa religião não pode ser explicado com simples argumentos, frios e diretos. O que podemos tentar dizer é que a nossa fé é feita em cima de nossa personalidade. Nossa personalidade nos guia até aquele modo de viver o sagrado que mais nos parece correto. Concordo com Dalai Lama quando ele diz que a melhor religião do mundo é aquela que te transforma em um ser humano melhor.
O que quero dizer que falar sobre fé é sempre um assunto espinhoso, pois envolve termos como "verdade", "dogmas" e "alienação". Devemos tomar cuidado com as generalizações: nem tudo é só alienação, as religiões também contribuem para o desenvolvimento do homem, cada uma a seu modo. Acredito que o discernimento pode nos ajudar a evitar cairmos em círculos fechados, assim como a fé também pode nos ajudar a entender mais o mundo (mas principalmente o homem). Mas muita reflexão estrangula a fé e muita fé esfaqueia o discernimento. É preciso um equilíbrio (tarefa difícil, mas não impossível).
Esse post por exemplo: não se trata de uma afirmação inviolável, uma verdade incontestável, mas apenas a minha visão, a minha opinião sobre religiões e experiências sagradas. Mas acredito que ela possua pelo menos algumas gramas de verdade.
sábado, 2 de abril de 2011
Fé cega, faca amolada
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| Terry Jones |
Terry Jones já estava doido para queimar livros á muito tempo. Ano passado anunciou que queimaria vários exemplares do Alcorão em homenagem aos 10 anos do 11 de Setembro de 2001, mas foi tão pressionado que desistiu.
Esse pastor de uma igreja da Flórida fez um julgamento do livro sagrado dos muçulmanos diante de seus fiéis há uma semana, no dia 21, e diante da sentença de culpado por não ser uma religião de paz o queimou. No Paquistão, as autoridade emitiram uma fatwa (ordem sagrada) que pagaria 20.000 dólares por quem matasse ele. Hoje, milhares protestaram numa cidade ao norte do Afeganistão e atacaram uma embaixada da ONU decapitando 7 estrangeiros lá presentes.
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| Protestos no Afeganistão. |
segunda-feira, 14 de março de 2011
Humanidade
Dalai Lama, sacerdote budista tibetano, n'O Livro de Dias.
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
Sagrado e Profano
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Mistérios da Fé

Religião, do latim religare. Como o próprio nome diz tem como objetivo religar o homem á essa dimensão, á essa mensagem, principalmente por meio dos rituais. Uma vez no âmbito dos homens, a religião se torna instituição e toda instituição é passível de sofrer as influencias de seu tempo, mesmo no seu início. Não há maior exemplo que o contexto do imperialismo romano quando do surgimento do cristianismo e da situação da Península Árabica na época de Maomé.
O poema de José Paulo Paes nos lembra que uma religião pode acabar com essa experiência do sagrado através dos séculos por meio do apego á liturgias. E assim surgem as dissidências. Podemos encarar a Reforma Protestante como uma maneira de tentar reatualizar esse mistério dentro do cristianismo, bem como as medidas criadas por São Francisco de Assis anos antes. Mas é inevitável que a religião, qualquer que fosse, acabe por burocratizar o sagrado.
Não acredito que a religião seja a única culpada nesse processo, mas seus fiéis também. A responsabilidade e a vontade de sentir o sagrado deve brotar dos fiéis senão ele está professando uma religião vazia. Não quero aqui cair no absurdo de dizer qual é a melhor religião, se é o judaísmo, o budismo, o cristianismo, etc. A melhor religião é aquela que te completa melhor, que te proporciona uma melhor aproximação com essa dimensão do sagrado. Cada pessoa tem uma percepção diferente e uma personalidade diferente o que influi na maneira de experimentar o sagrado. Não acredito em igrejas, pois não vejo razão numa mediação entre o sagrado e minha pessoa, mas isso é minha opinião. Não sinto que posso sentir o sagrado de outro modo porque sou assim, outras pessoas apenas conseguem se forem á igrejas ou apenas meditando. Não estou julgando, cada um tem o seu jeito de lidar com essa experiência.
Assim sendo, vejo a religião como uma espécie de conhecimento sobre o sagrado e sobre nós mesmos. Mas precisamos tomar muito cuidado, estarmos ciente de onde começa o sagrado e onde começa a religião, de onde está a história de uma instituição, de um pensamento, o que for, e o mistério.
domingo, 27 de junho de 2010
O Pensamento Católico no Brasil
Sensibilidade e lucidez que não poderia faltar nesse livro, um ensaio sobre a história do catolicismo, principalmente entre os intelectuais, no país. Com uma linguagem erudita, mas fluída, que cativa o leitor, o autor nos presenteia com belos balanços e avaliações.
Villaça vai desde os tempos da colônia até o momento em que o livro foi escrito (os anos 80), mas a parte mais interessante do livro trata do final do século XIX e começo do século XX, época em que o pensamento católico brasileiro mais se desenvolveu e época, aliás, da qual o autor fez parte (uma vez que conheceu tanto os altos membros da hierarquia católica, como o cardeal Leme, como os líderes leigos, como Alceu Amoroso Lima e Gustavo Corção).
Interessante pela análise que faz Villaça dos grandes expoentes do pensamento católico, principalmente Alceu Amoroso Lima e Carlos de Laet, nos apresentando não só o peso de suas figuras, mas também passando um pouco do que eles representaram para quem vivia naquela época. Assim entendemos como Laet arrebanhava tantos seguidores, como o padre Júlio Maria parecia esta criando uma revolução na Igreja e no povo.
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| Antônio Carlos Villaça. |
De qualquer maneira, O Pensamento Católico no Brasil é um livro recomendado para historiadores e leigos de todos os tipos, católicos ou não.




























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