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quarta-feira, 19 de março de 2014

Sagrado


Passando aqui para sugerir o ótimo conto do brother Ricardo Porto: Sagrado.
O conto me lembrou muito o filme Sunset Limited, protagonizado por Samuel L. Jackson e Tommy Lee Jones e inspirado na obra de Cormac McCarthy. Abaixo um trechinho do conto:
"Pedro era um padre sem fé há muito tempo. Não que ele não rezasse ou se emocionasse com a obra de Deus vez em quando, mas ele não acreditava mais que o Senhor se importasse com Sua criação. Convenhamos, era um fiasco. Ainda no Paraíso o homem era desobediente. Um dilúvio não resolvera o problema do pecado. Seu filho veio interceder por nós, mas não foi bem aceito e terminou morto. Sua morte ajudou a propagar a Palavra, mas ainda assim o mundo é torpe e somos cada vez melhores em destruir o mundo que nos foi confiado, que deveria ser a herança dos justos. Deve ser por isso que Ele mandou os mortos se levantarem".

segunda-feira, 10 de março de 2014

As Árvores Sangram


AS ÁRVORES SANGRAM
Dedicado a aniversariante Ilana Joplin.

Um dia, as árvores começaram a sangrar.

O primeiro a levar esse susto foi um homem simples, que estava pensando em eliminar a árvore do quintal para não ter que recolher as folhas caídas.
Deu uma machadada e, pof! Foi sangue pra tudo que é lado.
O sangue respingou na camisa e no rosto do pobre homem.
Assustado, o homem deu um grito e correu para colocar a mão no golpe que a árvore levou, numa tentativa caridosa – e desesperada – de impedir o sangramento evidente.
Depois de três tentativas, a árvore parou de sangrar. Restara um ferimento comum - um talho aberto, como um golpe desferido por um gladiador – mas o sangue definitivamente parara de fluir.
O Homem correu para o telefone e chamou a imprensa.
5 minutos depois, o homem estava sendo entrevistado. Nem tinha tirando a camiseta ainda, nem lavado o rosto. O Homem ensanguentado jazia ali, em frente à reporter e ao camera-man, parecendo um serial-killer que acabara de ser capturado.
Mas ele era apenas um homem normal, contando que a árvore tinha sangrado.
E a noticia se espalhou: primeiro na vizinhança, depois no bairro inteiro. À noite, durante o último telejornal da programação, a notícia já tinha alcançado o estado inteiro.
Dia seguinte, no programa matinal, a apresentadora de meia idade reunira uma equipe de especialistas, para debater o assunto e as possíveis causas do estranho fenômeno.
Tudo isso enquanto ela cozinhava batatinhas e frango em cubos.
A casa do homem tinha virado um grande acampamento científico. Igual quando encontraram o E.T. do filme do Spielberg.
O Homem ainda não tinha ganhado muito dinheiro com o ocorrido, mas como era muito solitário, estava curtindo toda a repentina movimentação em sua casa.
E a árvore foi extenuantemente analisada.
Especialistas da universidade do estado olharam, retiraram amostras, olharam de novo, e de novo, e de novo.
E depois deixaram a casa do homem em paz. Todo mundo foi embora.
Dias depois, os especialistas se pronunciaram na televisão. O assunto já estava quase esquecido, mas o que eles revelaram era assustador:
O sangue da árvore era humano.
Sangue humano.
A árvore ainda era uma árvore comum. Com raiz, caule, galhos e folhas. Ainda era a mesma árvore dos livrinhos que usávamos para estudar na quinta série.
Mas agora ela sangrava. Inexplicavelmente. E era sangue humano. Tipo A positivo, diziam alguns.
Dois dias depois, uma mulher perdeu a direção do veículo e se chocou com uma árvore, no subúrbio de uma cidade vizinha.
A mulher estava bem, não sofrera nenhum ferimento.
Mas a árvore que ela atropelou sangrou como um boi num matadouro.
A pobre mulher ficou horrorizada. Como o para-brisa do carro se esfarelou, a motorista ficou coberta de sangue.
As árvores começaram a sangrar. Não era apenas árvore do quintal do pobre homem.
A imprensa apareceu, os especialistas vieram, e todo mundo que estava no local via o acidente de carro como se fosse o resultado de um atropelamento fatal, mas era apenas um carro que se chocou com uma árvore...
...Que sangrava.
E todo mundo ficou assustado.
Era apenas uma árvore normal, um amontoado de celulose e clorofila... 
Que sangrava sangue humano.
Sangue do tipo O, diziam alguns.
Mas incidentes semelhantes ocorreram em outras cidades, em dias depois, no país inteiro.
Até que um chinês que procurava lenha fez uma árvore sangrar.
Aí não restavam mais dúvidas: as árvores do mundo inteiro começaram a sangrar.
E o assunto chegou na ONU.
Todas as nações do mundo estavam assustadas com o fato.
Nas revistas, televisões, jornais, todos davam suas opiniões sobre o que poderia estar causando o estranho ocorrido.
Especialistas, cientistas, céticos, religiosos... Muitas palavras pronunciadas com tom de verdade, mas apenas perguntas sem respostas.
Tanto sangue!
Um cientista canadense descobriu que o sangue das árvores poderia ser usado em transfusões com humanos.
Grande idéia!
Acabaram-se os problemas de falta de sangue em hospitais.
Tinha de todo tipo, inclusive os tipos mais raros.
Sangue de árvores salva vidas!
Até que um dia, alguém resolveu mostrar o outro lado da história.
Apareceu na TV uma filmagem horrorizante.
Naquele momento, onde o mundo estava começando a encontrar sentido novamente, alguém jogou um balde de água fria na felicidade das pessoas.
A filmagem tinha vindo de algum lugar abandonado por Deus, no meio da Amazônia.
Com uma imagem nítida, a filmagem mostrava o que seria um campo desmatado, por uma madereira ilegal.
Um imenso campo ensanguentado.
Vários e vários quilômetros de um holocausto ecológico.
Terror absoluto.
Quando a policia do meio ambiente chegou ao local, foi mais assustador ainda:
Sangue derramado em todas as direções.
E sangue fede. Imaginem milhares de pessoas exterminadas com uma moto-serra e você não consegue chegar nem perto da realidade.
Impossível segurar as emoções.
A imagem do desmatamento chocou milhões de pessoas no mundo inteiro.
Houve quem se perguntou por que antes um desmatamento nunca tinha chocado tanta gente.
Eu acho que é porque as árvores não sangravam ainda.
Os humanos são assim:
Mania de querer humanizar tudo...
Foi uma revolução no mundo.
Pela primeira vez, nações do mundo uniram forças para combater QUALQUER DESMATAMENTO.
Não se podia mais cortar nenhuma árvore no mundo.
E tudo aquilo que dependia de madeira – construção, marcenaria, transporte, caixas – teve que se virar com outros produtos. A construção civil sofreu um golpe do qual quase não se recuperou.
Toda madeira agora era neuroticamente reciclada. Claro, madeira processada do tempo em que as árvores ainda era apenas árvores.
Cortar lenha podia, mas apenas com madeira morta. Troncos caídos, que já não sangravam mais.
As ONGs estavam às mil maravilhas.
Haviam conseguido salvar as florestas do mundo inteiro. Mas na verdade, foram as árvores que salvaram a si próprias.
Os bancos de sangue do mundo inteiro estavam cheios. Quem diria... As árvores também acabaram salvando a vida de milhões de pessoas!
Na ONU, alguém até sugeriu que as árvores não fossem incomodadas nunca mais.
No comércio, novos substitutos foram sendo introduzidos – derivados de plásticos biodegradáveis, substitutos “verdes”, tudo para não agredir mais o meio ambiente.
E as pessoas foram aos poucos se tornando menos dependendo da madeira.
Difícil no inicio, mas o resultado era um mundo melhor e um futuro promissor.
Tudo porque, inexplicavelmente, as árvores começaram a sangrar.
E isso mudou o mundo. E mudou os humanos.
E a felicidade veio lentamente.
E o tempo passou. Parecia até que as árvores sempre tinham sangrado. Ninguém quase lembrava mais de uma época em que se cortavam árvores.
Tudo sempre tinha sido assim.
Foi aí que nós, cachorros, gatos, vacas e galinhas, decidimos que começaríamos a falar...

quinta-feira, 6 de março de 2014

Igarapé do fim do mundo


"Vamos para Presidente Figueiredo nesse domingo?" Vamos. A ideia era ir até Balbina. Saímos umas nove horas da matina. A reta esburacada que seguíamos prometia mais vinte quilômetros de nada. Já havia passado de meio dia e, portanto, nossos estômagos ladravam constantemente. Certo de que chegaríamos em Balbina logo, desprezamos alguns bons restaurantes de beira de estrada.
“Berro d’água”, dizia a placa, “pousada e [o mais importante] restaurante”. Cinco reais por pessoa. Não pensamos duas vezes. Dobramos à direita naquele portão entre dois coqueiros.

-Meu amigo, o restaurante ainda tá funcionando?
O senhor que protegia a entrada feito um gárgula disse: só descer...
Descemos. O caminho começa a ficar estreito. Continuamos descendo. A mata vai ficando fechada. Ainda descendo. Aparecem mil buracos. Descemos mais um pouco. As curvas aumentam. 
Cantávamos aquela música do Tim Maia sobre guaraná, suco de caju, sobremesa.
Mas já havíamos andado um bom pedaço de chão. As casas da pousada eram mera lembrança agora. A atual realidade era o mato. De todos os lados.
A cada solavanco Ricardo soltava um sonoro palavrão recheado de angústia. Bem, eu fingia estar calmo roendo minhas unhas. Décio, crente de que algum animal nos seguia, vigiava a mata ao nosso redor. Será uma onça?
-Cara, a gente tá no carro! Relaxa! Onça não pega carro!
-É, pega ônibus.

O humor do Ricardo como sempre reconfortante.
E depois de quase uma hora de muita tensão e fome avistamos o restaurante! Lacrimejei de emoção. Descendo mais um pouco, um igarapé maravilhoso. Aquelas águas negras convidativas. E em suas margens, aquelas cabocas mais convidativas ainda. Ricardo foi lá fazer rastreamento.

Esperamos pacientemente o tambaqui sem espinha, rindo do sufoco de outrora. As moscas e abelhas visitavam nossa mesa. Uma canção qualquer sobre dor de cotovelo dominava o ambiente esfumaçado. Quando chegou o peixe, não durou muito. Sumiu em coisa de dois minutos. Sorte que ainda tinha um suprimento fortificado de macaxeira na mesa.
Décio chamou a atenção para o fato das pessoas ali parecerem bem diferentes. Costeletas grandes, aqueles óculos escuros cafonas. Lá fora não tinha um carro novo: só fusquinhas e chevettes. Encontramos um igarapé de hipsters, brinquei. Ou então viajamos no tempo, completou Ricardo. 

Mas uma sombra foi encobrindo tudo. Uma tempestade estava vindo. E já estava mesmo na hora de voltarmos. Entramos no carro e subimos o caminho do medo. Quando saímos da mata o céu estava totalmente diferente. Nada de nuvens, nem vento. Na entrada, outro velho. Notei que estava vestindo uma camisa da Beija Flor de Nilópolis do carnaval de 2014 homenageando o Boni. Não seria nada de mais, não fosse o fato de que estávamos em junho de 2013.
-Bacana, esse cara é o Boni?
-Sim, aquele cara da Globo que morreu...
-Morreu?
-Sim, já faz uns sete anos.
Bem, não andamos antenado com o mundo dos famosos. Mas como um cara em Presidente Figueiredo conseguiu uma camisa do carnaval de 2014?
-Um amigo meu me mandou lá do Rio já tem um tempo...
-Um tempo? Meu amigo, você me desculpe mas até tá parecendo que fomos mandados pro futuro... Só por desencargo de consciência, quem é o presidente do Brasil agora?
-Ué, o Bolsonaro!
Puta que par...

sábado, 11 de maio de 2013

Noites assim... bárbaras


Os bárbaros estão chegando. Assim dizem os donos de bares da zona estragada. E lá vem eles, pontuais. Longe de carregarem machados, chegam trazendo barulho. Já cantam alguma música dos Móveis Coloniais de Acaju. Sentam, depois de cumprimentar Pato, o dono da bodega. Já chega a primeira garrafa.
Eles conversam. Trabalho, sexo e comida. Como sempre, Adel vomita no meio fio. “Você tem que parar com isso”, diz Lu lhe dando um soquinho no braço. E ele? Enxuga a boca e ensaia um sorriso amarelo.
O vômito do Adel é a primeira marcação da bebedeira. Depois dele, o homem pode beber quantas quiser. Nunca estará tão alegre quanto já foi um dia. É inexplicável isso. Álcool não traz serotonina, o hormônio da felicidade, no entanto lá está um bobão sorridente. Para ele, estar rodeado de amigos num boteco pé sujo de uma rua mal iluminada é a glória. Faltava apenas uma música do The Doors para atingir o êxtase.
People are strange, when you're stranger/ Faces look ugly when you're alone...
A noite prossegue. A fumaça do cigarro, as nuvens no céu. Tudo é tão envolvente, pensa Edna. Mas há algo a mais aqui, algo que não se pode ver. Algo que não está nem na fumaça, nem nas nuvens, nem nas estrelas – essa bijuteria do céu - , nem no fundo do copo. O que é ninguém sabe. E precisa saber?
Edna apenas fecha os olhos e aproveita o embalo enquanto o resto do mundo se acaba em fofocas e na risada abre-alas do Adel. É por momentos como esse que vale a pena viver em um cubículo cercado por baratas. É por momentos como esse que vale a pena VIVER.
Lu na volta do banheiro tropeça numa das garrafas. A surpresa: no pé da mesa se avoluma um batalhão de garrafas vazias. Ei, gente, vamos maneirar, diz. Lauro, o convidado e bárbaro eventual, atenta para o prejuízo, mas é inútil. Ele não conhece o esquema. Cada um dá um tanto e se mesmo assim ainda não dá, basta chegar perto do senhor ali da mesa do canto e pedir uma ajuda. Presença constante no bar, o homem de bom coração e bolso melhor ainda é um verdadeiro mistério. Simpático e bom de conversa, vive ali emprestando dinheiro a todos. Já é conhecido como Caixa Econômica.
Hoje não precisou fazer um saque. Há poucas horas do amanhecer nossos heróis vagam até o carro judiado pelo tempo e partem para o covil mais próximo. No caso, seria a pousada dos pássaros. Branca está com a chave e limpou a casa ontem. Está tinindo!
O maior problema é a bendita escada. Alguém sempre fica pelo caminho, mas a regra da camaradagem assegura que o bêbado que capotar será arrastado pelo bêbado que sobrou de pé. O mesmo se aplica à escadas, felizmente para Adel. Lauro livrou-se dos óculos e carrega uma latinha que ninguém sabe de onde surgiu. É a primeira vez que conhece este recanto de Manaus.
A pensão é velha e acabada, poderia jurar que já estava em ruínas, mas sob a luz da lua percebe um tom um tanto vívido nesse prédio azulado. As árvores tocam as janelas, seja na rua ou no pátio interior. A sombra dá medo, mas de dia deve ser muito lindo. Após vencer a escada em silêncio, que é o mais importante diante da encrenqueira vizinha do 302, os bárbaros chegam a sua merecida pousada. Uma esteira no chão com lençóis: cortesia da Branca á Adel e Lu. Edna ficará no sofá e Lauro na cama, junto com a dona da casa porque, afinal, tantos olhares trocados não podem ser desperdiçados.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

HISTÓRIAS NÃO PERECÍVEIS III



Desde que o amado coronel deixou de servir á geladeira para ser servido na mesa de jantar um clima melancólico e filosófico pairava no ambiente. E a inquietação cheirava a queijo gorgonzola.
O que será de nós? Qual nosso destino: a barriga ou a lata de lixo? As perguntas se multiplicavam, os alimentos se angustiavam. Então, algo ocorreu: um belo dia um visitante apareceu na geladeira. Chamava-se Leite Desnatado. Ao contrário do seu primo integral, esse era muito simpático. Mesmo assim todos desconfiavam de sua bondade. “Nunca confie em um latícinio sem nata!”
Dias depois o gorgonzola foi substituído por um parente sem gordura. A Abobrinha confessou ao Pepino que sentia saudade até do fedor. Esse novo morador parecia correto e light demais. O Sanduba natural vivia rindo. Os refrigerantes se tornaram espécie rara. Em seu lugar, sucos de tomate e energéticos.
Logo, ficou claro aos moradores antigos que se tratava de uma invasão. A invasão dos sem sabor! Assim proclamou aos quatro ventos o profeta mofado. Em reação, o Sanduba se pronunciou:
-Melhor sem sabor que ser cheio de gordura e colesterol!
-Mano, eu posso ter um monte de defeito, mas ainda sou gos-to-sa!, respondeu a fatia de bacon rebolando.
O refrigerante passou a atacar o suco natural de limão – é natural e só dá afta!
-Eu dou afta pelo menos e você que dá câncer!
-Isso é calúnia! Nada foi comprovado! Aqueles estudos foram feitos pela Pepsi!
-Ah, fica quieto e vai lá com a sua pipoquinha! Sua colega aí, Fanta Laranja, precisa chacoalhar pra ficar gostosa, senão fica o pozinho todo no fundo. E ainda vem falar de mim?
-E você por acaso é muito limpa? Tá precisando de uma peneirada urgente, fulaninha!
O energético de tão hiperativo não conseguia completar nenhuma frase. O iogurte e o leite desnatado trocavam farpas e natas.  Até o gengibre se manifestou! O chá de boldo ficou do lado dos colesterentos:
-Afinal, se ninguém comer eles, fico sem trabalho!
A baderna generalizou-se e sobrou até para os calados. A picanha encarava o kiwi:
-E você, peludinho, não vai falar nada?
-Ele é verde por dentro, só poder ser um espião!
-Vai dizer que o Kiwi é feito de soja? Me poupe!
Ao ouvir o nome “soja”, o profeta mofado soltou um berro:
-A soja dominará a geladeira!
Foi a única previsão certeira em toda sua carreira profética. Mas a batalha se alongou por horas. O peito de frango ameaçava sair da bandeja para dar uma lição na ricota. Emboscado por integrantes da gangue da Sopa Verde, o chocolate nunca mais foi visto. O leite condensado de tão esquentado se tornou doce de leite. A banana era toda potássio e tranquilidade: podia ser frita ou simplesmente descascada, fosse como fosse ainda teria espaço para ela aqui.
As coisas só se aquietaram quando as mãos apareceram. Pegaram justamente a fatia do bacon que deu uma risadinha debochada para seus desafetos saudáveis. Mal sabia ela que não seria digerida, mas descartada. Para o lixo foram a maioria dos gordurosos e habituais alimentos ao fim de uma semana. Despediam-se ás lágrimas, mas em breve se reencontrariam na lata de lixo para compartilhar as mágoas.
Quando o Pão Mofado foi retirado detrás da panela de pressão pelas mãos começava assim o reinado dos sem sabor. Eles já tinham chegado á todas prateleiras. Agora finalmente iniciaram seu governo utópico.  Os melhores alimentos fariam dessa a melhor geladeira, assim pensava-se. Os intocáveis da gaveta de legumes e algumas frutas não apoiavam de todo o novo regime.
-Nós dependíamos deles, cara. Sem o pão de hambúrguer e a carne ninguém se lembra de nós. Sozinhos não somos nada! – confessava o tomate ao alface em tom de lamento. O parceiro tentava consolar:
-Calma, calma! Nós sempre teremos a salada...
A banana, uma das frutas mais assanhadas, já sentia falta de suas relações:
-Ah, como eu sinto saudade de ser amassada ao feijão. Como era bom eu ser derretida ao açúcar e a canela e ser coberta todinha pelo mel. Ah, bons tempos...
E em pouco tempo os novos alimentos encontraram seu novo guru: o Pimentão. Quando ele repentinamente mudou de cor – de verde para vermelho – todos na geladeira ficaram pasmos. “Conte-nos seu segredo, mestre leguminoso”, exigiam. Foi a chance que encontrou para sair do esquecimento e doutrinar seus colegas. Logo ele que reclamava tanto do coronel berinjela...
O guru light podia ser verde por dentro, mas ainda assim era dos mais amargos. Não demorou para que alguns o desprezassem e outros se lançassem em sua defesa. Assim, a sociedade perfeita de alimentos perfeitos se via já comprometida por toda sorte de fofocas, rixas e panelinhas. As mãos podiam ter envelhecido, mas as brigas dentro da geladeira continuavam as mesmas. A panela de pressão quase apitou quando descobriu atrás de si, para sua surpresa, um pão que já desenvolvia alguns fungos.
Ele perguntou se incomodava. Se fosse o caso poderia mudar de lugar.
-Não, meu jovem, não saia de onde está por nada! Há um mundo perigosíssimo lá fora. Que mal lhe pergunte, mas você já teve alguma visão?

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Rapaz-coruja


Sujeito bizarro, pensei. Mas, afinal, bizarros somos nózes. O tempo me garantiu duas coisas: gente bizarra dão ótimos amigos e nunca subestime a vida. Nunca pensei criar amizades tão fortes, não pela internet. Mas aconteceu de estar errado - ainda bem!

Já conhecia o Sr. Cainã Patto Ito antes, o que nos aproximou foi o interesse pelo audiovisual. Quer dizer, só eu fiquei no interesse, ele já respira, come e bebe audiovisual. Se podemos (tarefa quase impossível) resumir ele em uma palavra é em multimídia.

Não é bem a um showman que ele quer ser comparado, mas há um animal de penas: uma coruja. Não porque coma roedores e saia á noite, mas porque se considera tão observador quanto elas. Honestamente, tenho minhas dúvidas... sobre as corujas, não sobre o Cainã, claro.

Nós temos muitas coisas em comum e escrever é uma delas. Pode crer que muito desse blog tem a contribuição da "índia velha", essa entidade que ás vezes incorpora no Facebook ou no Skype. Não bastasse isso, graças a esse Lombardi new age fui apresentado a um universo de pessoas muito especiais.

Vocês me conhecem, sou avesso á sentimentalismo gratuito na rede, então me limitarei a afirmar o meu orgulho de ser amigo dessa incrível (e bizarra) figura. Um companheiro de banda larga e, espero, de longa data.
Parabéns, cara.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

O bar depois da ladeira


Em tempos de faculdade, sempre depois do expediente, a noite exigia uma passada em algum recanto para tomarmos o "soro da verdade". Podia ser no bar do outro lado da avenida, no boteco perto da Santa Casa ou então no bar depois da ladeira. Petisquem um pouco dos versos do companheiro de brejas Raoni Leminski:

Pois é a alegria que toma o lugar
De gole, em gole, um sorriso no rosto
Eu já vendo tudo mais torto
Indo numa breja a mais para madrugar


Só digo uma coisa: Amigos cachaceir... boêmios, uni- vos!

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Minha retrospectiva

Com algum atraso, deixo aqui a minha retrospectiva:
2012, o ano em que me acabei na Banda do Galo. Nunca curti muito carnaval. Ainda mais carnaval de rua - morria de medo dos bate-bolas. Mas estando em Manaus (livre da jurisdição dos bate-bolas) resolvi rever meus conceitos.
Não posso me dizer que não me diverti esse ano. Festas, cervejadas, churrascadas, peças e até as enrascadas, tudo isso foi incrível. E devo isso tudo aos meus amigos, aqueles de longa data e aqueles que descobri há pouco. Os amigos de outro Estado, de outra idade, de outros tempos, todos.
2012 também foi o ano em que (que pretensão!) fizemos História. Mais um documentário feito e uma participação pequena no primeiro encontro regional da ANPUH, sem falar é claro da defesa antecipada da monografia. Mas, a maior surpresa foi guardada para o final do ano: a entrada no Mestrado.
Foi um ano de surpresas, em todos os aspectos. 2012 foi inesquecível para mim. Já 2013 não sei o que dizer, afinal nem fomos apresentados direito ainda. Talvez daqui 365 dias eu possa tecer alguns comentários sobre 2013...

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Mama África

Tcharan! Tia Lucy (Aryana Monteiro) e Elo Perdido (Augusto Severo) no palco.
Foto: Jhames Bessa.
No primeiro semestre do ano nos aventuramos com o teatro amador com uma peça chamada Nóis Véve a História para abrir a XI Semana de História da Uninorte. Decidimos repetir a dose. Mas dessa vez para abrir a IX Semana da Consciência Negra que teve por tema a história da África.
O Vanderson Dinhows Fernandes e eu ficamos responsáveis por escrever a peça, escalar o elenco e ensaiar com eles. O primeiro passo até que foi fácil. Reunimos um monte de boas ideias e tivemos ainda a ajuda da mente pervertida criativa do Everton Andrade - ele que teve duas participações pequenas, mas super-especiais!
Vinicius Amaral, Vanderson Dinhows e Everton Andrade: os roteiristas.
Foto: Raoni Lopes.
A grande questão era como fazer algo que fale da História da África e que divirta ao mesmo tempo? De início apresentaríamos um breve painel da História da África, na forma de um monólogo, mas desistimos dessa ideia. Ficaria muito maçante. Afinal, são muitas informações e pouco tempo. O fato da história desse continente ser pouco conhecida era um obstáculo, porque precisávamos dialogar com o que o público sabia. Como rir de algo que você não conhece? Por isso, optamos em falar do que conhecemos, das imagens do senso comum.
A proposta era brincar com alguns estereótipos sobre esse continente enquanto apresentávamos alguns pontos pouco conhecidos sobre a história da África (como a presença dos impérios de Gana, Mali, Songai e a relação com o islamismo). Muita gente achou parecido com a peça Hermanoteu na Terra de Godá, outros com as gags do Monty Python.
A primeira dificuldade foi montar o elenco. Estávamos agora trabalhando com uma equipe muito maior que da última peça. Existiam alguns personagens que foram criados para tal pessoa, outros não, precisávamos achar alguém que se encaixasse no seu perfil e que estivesse disponível. O maior problema sempre foi achar pessoas compromissadas e com tempo disponível. E em se tratando de época de prova a coisa só se complica mais.
Mas, por incrível que pareça, conseguimos achar muita gente. Com a exceção de alguns egressos, a maioria dos atores vieram do segundo e terceiro período noturno. Gente que não se conhecia muito bem, apesar de viver se esbarrando pelos corredores da faculdade ou então se enfrentando nos jogos de pingue pongue.
Os ensaios eram feitos aos sábados, geralmente em uma das unidades da faculdade ou então no Largo São Sebastião. Com a aproximação da Semana da Consciência Negra passamos a fazer ensaios durante a semana, entre uma aula e outra.
Primeiro, precisávamos fixar as falas na mente.Depois treinamos a interpretação e a construção das cenas (qual seria a ordem de entrada de cada personagem, onde ele ficaria, como ele reagiria a tal fala, coisas do tipo). E ao fim de cada ensaio aos sábados, uma cervejada. E churrascadas também. Uma antes da peça e outra depois.
O elenco assistindo a peça na churrascada, dias depois.
Foto: Rafael Mota.
Não teríamos conseguido chegar lá, claro, sem o apoio da Profa. Elisângela Maciel, sem o compromisso de todo o elenco, sem o apoio técnico e moral do Everton e sem a garra do Vanderson Dinhows. Ouvi aplausos e elogios, mas creio que a nossa recompensa maior é outra.
Creio que esse tempo juntos ajudou a criar um sentimento de união de forma que a própria galera espera participar de novos eventos da mesma forma e com a mesma equipe. Então que venham os próximos eventos!

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Agenda cheia...

São em momentos como esse que você vê o surgimento de lendas, como Allan Carneiro (ao centro) que fez o dramático papel do Menino do Teco Teco na nossa peça. Foto: Ivanir Lima.

O motivo de minha ausência nesse blog tem uma boa justificativa. Melhor, boas justificativas. Ultimamente estive envolvido em toda sorte de eventos. Primeiro, ensaiando uma peça de teatro para a abertura da Semana da Consciência Negra da Uninorte com meus colegas do segundo período matutino e noturno, do terceiro período e do sexto. Foram vários sábados, sem contar as vezes que ensaiamos entre o intervalo das aulas durante a semana. O resultado foi uma boa encenação, mesmo com alguns obstáculos. O mais importante foi que nos divertimos muito com isso e espero que tenhamos criado fortes laços de amizade.
Aí está todo o elenco da peça Nós Véve a História Doize: Mama África. Foto: Jhames Bessa.

Outro motivo foi a série de provas e concursos que fiz. Tive que desenferrujar e voltar aos tempos de cursinho para me preparar para os vestibulares e processos seletivos. Dentre todas as provas, destaco aqui a do Mestrado em História pela UFAM. Após passar pelas quatro etapas, recebi a agradável notícia de que  tinha sido aprovado. Agora é só arregaçar as mangas que vem muito trabalho aí! Curiosamente, nesse mesmo tempo o primeiro encontro estadual da ANPUH do Amazonas foi realizado. E nesses quatro dias procurei participar o máximo que pude. Claro que não podemos desprezar também uma conversa com os amigos, um almoço no R.U. (Restaurante Universitário) e um cafézinho.
Prof. Hideraldo Lima da Costa, presidente da ANPUH/AM, iniciando o ciclo de conferências sobre  o Comitê da Verdade. Foto: Talita Magalhães.

Bem, vou falar um pouco sobre cada um desses eventos, mas na próxima ocasião. Agora, meus amigos, vou dar uma merecida pestanejada.

sábado, 15 de setembro de 2012

Indigestão

Cainã Ito

(...) 

Olhos fechados e sentia o calor humano ao passo que entrava em um frigorífero.

-Quem está ai? Não quero ninguém mais, a festa já acabou!

Silêncio...

Ele apenas diz

- Sou o coração que você não conseguiu digerir....

Sorriso jamais visto

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Salve Mestre Arcângelo!

Quando somos levados a falar das pessoas que mais admiramos corremos dois riscos: ou falamos de mais,  beirando a bajulação, ou falamos de menos, deixando muito a desejar. Porém, quando não falamos delas corremos um risco maior ainda: dar a impressão de que não a admiramos.
Eu não gostaria de correr esse último risco, por isso hoje vou falar sobre uma pessoa que admiro muito: Prof. Arcângelo. Quando cheguei na Uninorte me pintaram uma imagem dele como se fosse um carrasco. Com o tempo descobri o exagero - seguindo essa lógica todo mundo que for exigente é um carrasco, uma besteira.
Seja nas aulas ou nas reuniões do projeto de extensão, o professor me surpreendia sempre pelo conhecimento do assunto (de História da Amazônia até o repertório do Nunes Filho) e pelo bom humor. Outra coisa que aprendi a admirar nele é a sua posição ética.
Portanto mesmo que não tivesse o título de mestre, para mim, o Prof. Arcângelo já seria um. É um exemplo em muitos sentidos e uma grande pessoa. Espero, assim como meus amigos, que possamos conversar muito ainda sobre Jackson do Pandeiro, Raymond Aron e cia.

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A cada período, uma palavra ou duas usada pelo professor nas aulas caia no gosto da turma, tornando-se quase a marca do mestre. Abaixo listo algumas:

"É preciso elencar o conhecimento e amalgamar os saberes".
"Isso é produto do etnocentrismo" ou então "da resignificação".

E existem aquelas frases que o professor solta no meio da aula para ver se o povo está mesmo acordado, como essas:

"Quero que vocês façam um trabalho com o seguinte título: 'a importância do cipó na vida cognitiva do macaco'".
"Até pra cuspir na escultura é preciso ter estrutura".
"Muitos elementos são usados para estudar a história: dialética, conjecturas, elixir paregórico, etc...".

sábado, 25 de agosto de 2012

Á Diego Gatto


Filosofar é sacudir os eixos. Por isso o filósofo é tão odiado, por isso ele é taxado de chato e inconveniente. Ele desconstrói para refletir e isso ataca nosso rochedo de certezas. O filósofo não quer nos deixar flutuando no espaço sem nada para se segurar, não. Ele quer mesmo é saber onde estamos pisando, a que estamos nos agarrando.
Quando o filósofo está na área, o banal que se cuide!

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

BELEZA TERRENA - Landis Vinicius Petersen


 Surge como uma materialização
A expressão de uma odisseia
Saída dos versos dos poetas
A rima da plateia
A exuberância personificada
Sinônimo do inefável
Dos Encantados uma lenda
Com um abraço confortável
A Feluriana de Kvothe
A alegria dos mortais
A conquista espiritual
Além dos desejos carnais!

domingo, 22 de julho de 2012

Da Amizade



De todas as relações, a amizade é uma das mais misteriosas. Como nos tornamos amigos? Por que parecem conosco ou por que são totalmente diferente de nós? Por que nos fazem rir ou por que nos fazem pensar? Difícil dizer. Generalizar é impossível. Até porque existem diferentes tipos de amigos.
Há pessoas que acreditam ser amigas de você, outros que fingem e aqueles que realmente são. Há amigos que te irritam, mas que você não quer se afastar deles - pelo contrário. Há amigos que te fazem sentir muito bem, apesar de que você não consiga fazer o mesmo por eles. Há amigos que te ajudam a amadurecer e outros que despertam sempre seu lado "criançona". Há amigos que te conhecem melhor que ninguém e aqueles que você não sabe nem o nome completo. Há amigos virtuais, amigos imaginários e amigos reais (ou quase). Há amigos e há melhores amigos.
Então, voltando a pergunta inicial: como surgem os amigos? De que reação química eles são originários? Amizade não brota do nada, ela é construída. Cada um de nós sabe como nossas amizades são construídas. Mas sabemos como preservá-las?

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Eu acredito é na rapaziada...

HOMENAGEM AO SÉTIMO PERÍODO


Todo mundo que já passou pelo Curso de História da Uninorte entre 2009 e 2012 já ouviu falar neles: a Turma de 2009. A turma que no começo eram duas, mas se juntaram. A turma da Velha Guarda, da Escola das Análias, dos Espartanos. A turma que marca presença nos eventos, seja nos bastidores ou fora deles.

Não é mistério para ninguém que gosto muito dessa turma. Quando me transferi para Uninorte por causa de uma confusão nessa maldita grade curricular cai na sala deles. Eu, todo arisco, logo fui apresentado ás tribos da sala. Com uns fiz amizade de cara, com outros demorei mais um pouco.

Acontece que fiquei impressionado com essa turma. Primeiro, pela sagacidade. Tinha lá seus abestalhados... Mas que no final das contas acabaram saindo "bilontras". Em segundo lugar, porque apesar de tantos grupos e visões de mundo diferente todos se respeitavam. E por último, é uma turma que tem a incrível capacidade de rir de si mesma.

Eu não me sentia numa sala de aula, mas numa roda de amigos. E vocês não sabem o quanto esses amigos me ajudaram a crescer. Por que o que se aprende com eles não é ensinado na faculdade: amizade, bom humor, respeito e, claro, muita sacanagem. E espero continuar aprendendo com vocês sempre.

Abraços á todos.

(Nota, Manaus - 12 de Julho de 2012).

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Poeminha á quatro mãos

A ÚLTIMA GOTA
Cainã Ito e Vinicius Amaral

A chuva mata a sede dos melancólicos

Afogando os eufóricos
Refrescando os iludidos

Cada gota um temperamento
Cada pingo uma lembrança

Torneira se fechou
A última lágrima caiu
Na beira do precipício ficou.

sábado, 9 de junho de 2012

Quando? Quando?

Diego Gatto

(...) Quando foi que os nossos beijos se transformaram nisso? Quando foi que eu coloquei pelos teus lábios uma Gillette entre as gengivas? Quando foi que eu senti os carinhos das tuas mãos me esmagarem como um trator pavimentando uma via que você precisava passar? Eu era uma floresta, e você precisava de um boulevard. Eu precisava que você voasse entre meus galhos, entre minhas árvores, entre meus sons e minha umidade, que você fecundasse minhas plantas; mas... Mas você precisava de uma passarela. Você precisava da cidade que eu não sou; e então, você se feriu em quedas e arranhões quando viu as corujas que arrebatam meu céu quando escurece por detrás dos meus olhos.

domingo, 1 de abril de 2012

Divagações existencialistas

Por Tiago Bueno dos Santos.


"Acho que essa é a pior dor que um ser humano pode passar: não saber mais quem ele é!
Descobrir que está sendo sempre o que os outros querem dele?
Sem liberdade, enganado e sem vida!
(...) E o resultado é o domínio desses enganadores, exploradores, que impedem as pessoas de verem a beleza da vida! Precisamos de coragem para denunciar esses ídolos modernos que enganam a humanidade!
Tornam o ser humano em escravo! Em vez de ajudar só atrapalham, criam seus impérios em cima da dor do outro!"

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Três rapidinhas

RAPIDINHAS
Foto: Henry Cartier Bresson.

Cinco versos na chuva...
Cinco versos na estrada...
Cinco versos no pó...
Cinco versos inacabados...
Cinco versos, e só
[Cinco versos]


Pensei, pensei e pensei...
O que dizer a quem eu amo?
E de tanto pensar, não disse nada;
E o olhar de derrota, disse tudo.
[De pensar, sofri só]



Temia o medo, até conhecer a saudade...
Temia a saudade até conhecer o ciúme...
Temo o ciúme, até o fim da vida.
[Sentimomentos]