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sexta-feira, 22 de junho de 2012

Dissecando os porões da ditadura


Cláudio Guerra é um nome pouco conhecido fora do Espírito Santo. Ou pelo menos era, porque depois que   ele decidiu dar um depoimento aos jornalistas Marcelo Netto e Rogério Medeiros ganhou fama nacional. Já concedeu várias entrevistas, uma delas, a de maior repercussão, foi ao jornalista Alberto Dines no Observatório da Imprensa.
Dines teria dito em um artigo que Hannah Arendt estava certa: tinha acabado de conhecer a banalidade do mal ambulante. Isso porque Guerra parece uma pessoa comum e até simpática, em nada lembra a nossa imagem dos torturadores sádicos da ditadura militar. E olha que nem torturador ele era: Cláudio Guerra era um matador do regime. Dines sentiu o mesmo espanto de Hannah ao descobrir que Adolf Eichmann, que mandou vários judeus para os campos de concentração, não passava de um homem comum e não um monstro.

Preso por assassinatos posteriores ao fim do regime militar, Guerra encontrou a religião, se tornou evangélico. Decidiu que o melhor a fazer era revelar o que fez, não sei se por culpa. Em suas entrevistas ele não conta todas as suas execuções como se delas orgulhasse ou sentisse vergonha, mas como se fosse um interrogatório formal. Talvez, num momento em que tanto se fala em descobrir a verdade, Guerra tenha sentido o desejo de contribuir para entendermos o que aconteceu de fato no país.
Seu livro, Memórias de uma Guerra Suja, me surpreendeu e muito. As histórias poderiam render um bom filme a la Tarantino. São tantos e tantos dados que não sei por onde começar. Deixarei para falar dos mais impactantes outro dia, hoje tentarei falar dos mais interessantes para quem estuda esse período:

a) A comunidade de informações agia perfeitamente de acordo com os aparelhos repressores. Os nomes eram conseguidos através de grampos telefônicos, missões de tocaia e até pela tortura. Alguns eram investigados ou executados pelos grupos clandestinos. Todas as peças se encaixando.

b) Esses grupos clandestinos são uma equipe de espiões e matadores, comandados por um oficial superior ligado ao governo. Ou seja, a maior parte do grupo não pertencia á alta esfera do governo, mas estava ligado á ele.

c) Quem fazia as vezes de espiões e matadores eram os policiais. Essa talvez seja a revelação mais interessante: os militares, segundo Guerra, não tinham familiaridade com o mundo da repressão tão bem quanto os policiais que nele se infiltraram há décadas.

d) As operações secretas de extermínio começaram na década de 1970, segundo Guerra, e os fundos para essas ações eram arrecadados entre artistas, bicheiros e empresários. Todos simpáticos ao regime, seja pela ideologia ou simplesmente por motivos práticos - defender os seus interesses.

e) Como já foi dito, os matadores eram recrutados entre os esquadrões da morte e as delegacias civis. O detalhe maior é que para manter o sigilo eles eram utilizados muitas vezes em ações longe da sua terra natal. Cláudio Guerra, por exemplo, é do Espírito Santo, mas atuou em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

f) Havia intercâmbio não só entre os estados, mas entre os países da América do Sul. O livro apenas confirma a Operação Condor, ou seja, a colaboração entre os governos militares do continente como o Chile, Argentina, Brasil e Uruguai na tortura e morte de seus opositores.

g) No começo, as procuradorias federais serviram como sede provisória para o Serviço Nacional de Informações (SNI). Isso abala um pouco o papel que as instituições jurídicas desfrutavam de oposição velada ao governo e defensora do regime democrático durante a ditadura.

h) Os corpos eram jogados ao mar, enterrados em terrenos baldios ou incinerados, como o grupo de Guerra fazia em uma usina em Campos (RJ).

i) Nem todos os membros dos grupos eram entusiastas do regime militar: o livro constrói uma imagem do temível delegado e torturador paulistano Sérgio Fleury como um homem oportunista e ganancioso, que por isso se envolveu com o crime organizado.

j) Havia uma confusão interna no governo - tanto na comunidade de informações como nos aparelhos repressores. Não temos essa impressão porque os militares sabiam como esconder essa anarquia por meio da censura. Os interesses de alguns setores do governo e de seus funcionários conflitavam muitas vezes. Isso sem falar que muitos se aproveitaram das novas ferramentas do regime para se beneficiarem.

l) Após a decisão da abertura essa confusão aumentou, porque as alas mais radicais e mais beneficiadas com o governo não queriam que a situação toda mudasse. Daí muitos grupos de linha dura terem tentado atrapalhar a redemocratização com atentados e notícias falsas.

m) Quando perceberam que a redemocratização era um caminho sem volta, começou a queima de arquivo. Os envolvidos nas operações que não respeitassem o voto de silêncio eram mortos, como foi o caso de Fleury segundo o depoimento do delegado capixaba. Muitos escolheram sobreviver no crime organizado, como foi o caso do próprio Guerra que se tornou bicheiro. Outros criaram mais grupos de extermínio e continuaram na polícia.
Esse é Cláudio Guerra atualmente.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

O Rio e a Vida: Quem Comanda Quem?

O rio comanda a vida. Esse era o título e a mensagem principal do livro do acreano, mas radicado paraense Leandro Tocantins (1928-2004). Escrito em 1952, quando este tinha ainda 21 anos e vivia ainda no Rio de Janeiro, em vias de concluir sua Faculdade de Direito, esse livro conseguiu conquistar uma legião de fãs, dentre eles o historiador amazonense Arthur Cézar Ferreira Reis. Reis se espantou com o estilo e o pensamento do jovem Tocantins e chegou a convidá-lo para ajudá-lo na Superintendência de Valorização Econômica da Amazônia (SPVEA) - futuramente transformada em SUDAM - e como representante do governo do Estado do Amazonas.
Mas o que esse livro possui de especial? Tocantins o inicia lembrando como ele foi descoberto. Volta ás crônicas de Vicente Pinzón, Diego de Lepe e de Francisco Orellana, questionando alguns pontos e utilizando outros como força literária. Critica o mito do "País das Canelas" e das amazonas, com base em fontes científicas e históricas.
Leandro Tocantins
Nos conta um pouco da história do Pará, Acre e Amazonas, três estados nos quais o autor passou boa parte de sua vida. Explora alguns aspectos da vida dos ribeirinhos, como sua religiosidades, seu folclore, suas atividades (seja como seringueiro, vaqueiro ou pescador).
O interessante é que Tocantins aborda a vida amazônica utilizando a sua experiência e a ciência como motores de suas considerações. Seu estilo literário consegue estilizar muitas passagens que pareceriam sisudez pura, o que lhe valeu futuramente comparações com Euclides da Cunha, que unia em suas obras ciência e literatura.

A tese de Tocantins fica clara logo pelo título. Em todos esses séculos de história o que tem definido a região não é o homem, mas o rio. Claro, que o homem tem tentado se impor na Amazônia, mas ele não conseguiria sem a sua rica hidrografia. Não por acaso a terra firme, mata adentro, continuava quase não ocupada, enquanto nas várzeas se concentram a maioria da população. A própria Belém, ou mesmo Manaus, foram construídas á margem do rio. Elas cresceram com a navegação e a exportação dos produtos locais, tudo graças ao rio.
Tocantins, no entanto, reconhece em raros momentos que o homem tem conseguido domar um pouco o rio. Mesmo que não seja no sentido que ele gostaria.

O escritor paraense tornou-se famoso por defender uma adaptação do homem aos trópicos, seja no vestuário ou na habitação. Em sua visão, o homem estava agindo errado esse tempo todo na Amazônia, pois estava tentando transplantar a cultura européia para uma região totalmente diferente, ao invés de criar uma civilização nova, fruto da união entre a cultura indígena com a cultura ocidental. Gilberto Freyre tinha chamado o estudo dessa civilização em potencial de luso-tropicologia. Não é de se admirar que Tocantins e Freyre tenham se correspondido por tantos anos e desenvolvido vários congresssos de "amazonotropia".

O que teria acontecido com os planos desenvolvimentistas implantados durante a ditadura militar, como a Zona Franca de Manaus, não era a construção de uma nova sociedade adaptada aos trópicos. Ainda cometeríamos o erro de tentar transformar as capitais amazônicas em cidades cosmopolitas, mas um cosmopolitismo que exclui principalmente a cultura local. Tocantins não critica abertamente esse modelo, uma vez que também defendia o desenvolvimentismo. Ele demonstra essa insatisfação com sua preocupação com o futuro estado da cultura cabocla.
No prefácio á nona edição, o escritor louva o estado progressista da região e lembra a sugestão que o então presidente Getúlio Vargas lhe fez após folhear seu livro em 1952: escrever uma continuação chamada A vida comanda o rio. Ele acredita que o rio hoje não é mais o determinante na vida amazônica, o homem conseguiu domá-lo, seja através de outros meios de transporte ou de outras atividades econômicas. A ambiguidade está em reconhecer esse fato como preocupante ou louvável. Louvável por permitir a criação de uma sociedade moderna e industrial ou preocupante por menosprezar a cultura cabocla, que tanto respeito tinha pelo rio, sua ligação com o resto do mundo e fonte de seu sustento.

(Publicado no Recanto das Letras, 10 de Agosto de 2011).

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Cultura, industrialização e alguns gatos

Robert Darnton dizia que o passado é uma terra estrangeira. Quando assistimos trabalhadores matando gatos e morrendo de rir com isso, na passagem do século XVIII para o XIX, temos de concordar com ele. O que há de tão engraçado em matar gatos? A resposta só pode estar no passado, na terra estrangeira em que eles viveram. Esse estranho fato chamou a atenção do pesquisador norte-americano que tentando descobrir seu significado acabou fazendo uma história cultural dos primórdios da industrialização na França.

Robert Darnton
Quem relata o massacre de gatos é um tipógrafo que em um pequeno caderno conta como foi o começo de sua carreira profissional. Na época, esse tipógrafo trabalhava numa oficina e partilhava com um amigo muito zombeteiro um quarto. Ao contrário do que a historiografia tradicional pensa, o período da pré-industrialização não foi assim tão pacífico quanto se imaginava: o tipógrafo nos conta que a vida de aprendiz (iniciante no ofício) era dura, com péssimas condições de trabalho, de higiene e de moradia. Além disso, havia o ódio contra o patrão. Enquanto os aprendizes quase se matavam de trabalhar, o dono da oficina esbanjava dinheiro e tinha mais cuidado com os inúmeros gatos que sua mulher criava do que com seus trabalhadores.

O historiador acredita que na época já havia uma certa consciência de classe: os trabalhadores, por causa de sua péssimas condições de trabalho, se uniam, mas ainda não partiam para a luta de classes explícita. A prova de que eram unidos está nas inúmeras agremiações que os tipógrafos tinham, quase sociedades secretas destinadas aos melhores e mais confiáveis trabalhadores. Outra prova pode ser encontrada nos rituais por que os aprendizes tinham que passar para serem considerados verdadeiros tipógrafos.
Mas vamos ao caso dos gatos: o amigo gozador do autor do caderno de memórias resolve empregar uma peça no patrão. Durante a noite vai até a sua casa e fica miando. A sua intenção é não deixar o burguês não dormir direito. Mas acaba tendo um efeito colateral: por causa dos miados insistentes, o patrão acredita que os gatos estão endemoniados e no dia seguinte pede que os seus empregados se livrem deles, menos da gata cinza (a favorita de sua mulher). É justamente a gata cinza o alvo de toda fúria: ela é enforcada. Os demais foram mortos á pauladas, enquanto todos riam.

Darnton entra no folclore da época para tentar entender o significado da figura do gato e descobre que ele poderia simbolizar desde a ligação com a feitiçaria, a sensualidade desenfreada e a identificação com o dono. Portanto, quando enforcaram a gata cinza poderia estar dizendo que sua dona era uma bruxa ou uma adúltera, ou podiam estar fazendo o que queriam fazer com seus donos - enforcá-los.
O massacre de gatos em sim demonstra que no início da industrialização na Franca existia sim uma luta de classes, mas através do simbolos. Os trabalhadores usavam dos elementos de sua cultura e das mentalidades do período para poder atingir o patrão, para ridicularizá-lo, como fizeram os tipógrafos com os gatos do dono da oficina. Era uma luta de classes onde o humor e a cultura andavam de mãos dadas.

domingo, 18 de setembro de 2011

Uma idéia conveniente

Ano passado chegou aos cinemas o filme "A Origem", de Christopher Nolan. A história gira em torno de um futuro não muito distante onde se pode entrar nos sonhos de outras pessoas. O filme acompanha uma equipe de especialistas em invadir sonhos, contratados para descobrir segredos industriais, que recebe uma proposta indecente de um empresário. O que eles tem de fazer é complicado: não vão roubar um segredo, mas plantar uma idéia. Os protagonistas explicam porque tal ação é tão difícil: uma idéia é difícil de ser plantada porque sempre haverá um rastro de quem a plantou.

Por que estou falando disso? Nos últimos dias li o livro de Edgar Decca, O Nascimento das Fábricas, que analisa o processo descrito no título de uma perspectiva diferente: o mundo das idéias. Por que isso? Decca acredita que a ideologia criada no início da industrialização foi tão bem construída e tão bem difundida que ela chegou até na historiografia. Daí que muitos historiadores explicam o nascimento das fábricas através do elemento produtividade. Ou seja, as fábricas nasceram graças ás máquinas, criadas na Revolução Industrial, que trouxeram novas técnicas de produção.
Segundo Decca, as máquinas não determinaram o nascimento das fábricas. O que ajudou e muito ao nascimento das fábricas foi a mentalidade burguesa, formada gradativamente, segundo a força que a burguesia ia adquirindo com o tempo. O que dizia essa mentalidade? Primeiro, ao contrário do que se dizia antes, o trabalho não é algo ruim. As sociedades da Antiguidade sempre consideraram o trabalho como um castigo ou uma tortura (basta lembrarmos que o princípio básico para ser nobre é não ter que trabalhar). Em segundo lugar, o trabalho produz lucros. Quanto mais eficiente e racional o trabalho, mais lucros serão obtidos. Quanto mais disciplinado o trabalhador, melhor será o seu trabalho.

O burguês era o homem que mexia com dinheiro, por isso ele valoriza o trabalho. Mas a maioria apenas comercializava o produto de outros trabalhadores, como os artesões. O problema, para o burguês, é que o artesão não tem um nível de produção regular, isso porque ele tem muita autonomia, afinal, os meios de produção são todos dele. As fábricas nascem quando o burguês reúne os trabalhadores em um espaço e empresta os meios de produção para eles. O que se exigia nas fábricas era disciplina, por isso existiam capatazes e punições terríveis a quem não fosse "ordeiro". O interessante é que esse zelo foi tão reafirmado que acabou penetrando dentro dos trabalhadores. Reafirmado como? Não era só através do "vigiar e punir". Não era raro muitos padres ou pastores apoiarem o trabalho fabril como alternativa á preguiça, um dos pecados capitais, visto como solo fértil para outros pecados. Os cientistas sociais, que surgem nesse período de mudanças radicais, não fogem á regra: o trabalhador que não é disciplinado logo se tornará um criminoso ou um vagabundo. O trabalhador deve reconhecer seu papel na sociedade, aprender e exercer sua função, senão a sociedade desabará. Além disso, o trabalho traz muitos benefícios ao homem, principalmente na saúde (o que muitos não percebiam era a falta de segurança no trabalho, dentre outros fatores).

O patrão, o capataz, a ciência e a religião diziam basicamente a mesma coisa, com conceitos e palavras diferentes. Eles produziram uma ideologia, um conjunto de idéias que toma status de verdade, que incutiu nos trabalhadores que a fábrica era o único meio de se sustentar e a disciplina a única maneira de continuar nas fábricas. As máquinas aqui serviram como instrumento para assegurar isso: a ameaça de mecanizar a produção assustava os operários, preocupados em perder o seu emprego.
A classe social burguesa fez o que a equipe do filme fez na cabeça de sua vítima: plantaram uma idéia. De tal forma que não se percebe de onde veio tal idéia. Ela foi estendida á toda sociedade. Disciplina e produtividade são palavras de ordem para todos os grupos sociais. Palavras que apagam, de certa forma, desejos de autonomia e de revolta. Na realidade, tais sentimentos nunca deixaram de existir, o que Decca quer dizer é que seu objetivo, no campo das idéias, era evitar a sua proliferação. Ao contrário do que vem se afirmando, as fábricas não nascem graças ás máquinas, mas devido á ideologia criada pela classe burguesa, na qual as máquinas foram usadas como um dos tantos instrumentos de sua reafirmação.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

A industrialização de São Paulo

Da antiga série "sínteses numa mesa de bar":


A Industrialização de São Paulo é um livro do brasilianista canadense Warren Dean que já falou da economia da borracha e da história dos desmatamento da Mata Atlântica. Nesse livro Dean quebra alguns mitos sobre a industrialização paulista.
Primeiro: todo mundo pensava que a industrialização paulista nasceu com a crise do café.
Dean mostra que os cafeicultores paulistas foram os homens que criaram a indústria na região. A maioria precisava conseguir novas maneiras de lucrar e outros investiam na indústria só pra ajudar a beneficiar e transportar seu produto.  Mas existiam também aqueles que não eram fazendeiros, mas também ajudaram a construir a indústria paulista. Quem eram eles? Imigrantes (especializados) e profissionais liberais.
Esse pessoal era contra os cafeicultores? É aí que chegamos no segundo mito: formou-se uma classe forte e unidade de industriais que lutavam contra o domínio do café e de outras exportações.

Warren Dean
Ora, vamos dar uma olhada na origem social dos imigrantes especializados e dos profissionais liberais. Os imigrantes que se tornavam industriais eram quase sempre técnicos, ou seja, aqueles que já tinham um conhecimento aprofundado sobre a fábrica. Eles começam a ser promovidos até se tornarem diretores da fábrica ou fundarem sua própria fábrica. Mas eles não tinham prestígio, eram vistos como aventureiros ainda. Por isso se casavam com as filhas de famílias tradicionais (principalmente de cafeicultores). Além disso, o sogrão sempre podia ajudar investindo um pouquinho ali e aqui.
Os profissionais liberais (advogados, gráficos, jornalistas, médicos, etc) eram geralmente filhos dos barões do café. Mandados com o dinheiro do pai para se formarem no exterior, conseguindo assim o tão prestigiado título de bacharel. Quando não se envolviam na esfera intelectual, optavam por criar empresas "modernas" na cidade.
O que temos então são dois personagens visceralmente ligados ao cafeicultor o que cria uma classe dividida: o industrial é um empreendedor que quer ser um nobre como o barão do café. Mas nem todos pensavam dessa mesma forma e isso provocava muitos atritos entre os próprios industriais. Era isso que os impedia de se organizarem tão cedo. Só na década de 1920 que surge a Federação da Indústria do Estado de São Paulo.
Terceiro mito: os industriais estavam tão bem organizados que reprimiam fortemente os operários.
O historiador acaba de nos mostrar que eles não estavam tão unidos assim, mas mesmo assim eles partilhavam (a maioria) de uma mentalidade autoritária para com seus empregados. Eles não eram organizados, o que acontecia é que todos possuiam a mesma idéia de como se devia tratar uma greve: com repressão das grossas.
Os industriais só iriam se unir mesmo a partir de 1930, quando os barões de café estão em franca decadência (com a crise de 1929) e Vargas consolida a industrialização nacional.
Para fechar: o livro de Warren Dean é importante porque ele quebra com muitos mitos, demonstrando que a industrialização de São Paulo foi algo rápido, mas a criação de uma classe unida foi lenta, graças á origem de seus membros e os momentos de crise que o país passava na Primeira República.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Os diagnósticos do Dr. Djalma Batista

Djalma Batista. Foto: Roberto Mendonça Furtado.
Quando Djalma Batista, médico acreano que se radicou em Manaus, escreveu Complexo da Amazônia em fins da década de 1970 pretendia fazer um grande diagnóstico de toda região. Para o bom doutor o diagnóstico era simples: o subdesenvolvimento. A razão dessa doença, contudo, era das mais variadas, mas um de seus principais motivos era o extrativismo. Para Djalma, desde a colonização até o século XX a história da Amazônia tem sido a história do predatismo, tem sido a luta do homem contra a natureza. Se parece que o homem está ganhando ao desmatá-la e polui-la na realidade ele só está se iludindo. Sem a natureza o homem morrerá. E na Amazônia isso fica muito claro, principalmente porque o solo amazônico é pobre de substâncias, se sustenta apenas com o material produzido pelas plantas e os animais. Uma vez varrido o manto verde a terra virará deserto.
A Amazônia para Djalma é um ecossistema importantíssimo e ao mesmo tempo delicadíssimo. Se o homem quer mesmo sobreviver deve preservá-la. Mas não transformá-la em um museu vivo, mas conviver com esse bioma, de forma respeitosa e inteligente. Isso é o que ele chama de "desenvolvimento auto-sustentado".
Como fazer isso? Antes de tudo sabendo onde estamos pisando. Sem os estudos dos cientistas talvez descobríssemos essa falsa riqueza do solo amazônico tarde demais. Djalma clama para a Amazônia cientistas. Só depois de conhecer e entender esse fantástico bioma é que saberemos exatamente o que fazer sem correr o risco de condená-lo e com isso a todos nós.
E tenta inventariar o que sabemos sobre a região com base em estudos históricos, geográficos e biológicos. Djalma Batista é um pensador muito sagaz que domina a interdisciplinaridade, pulando da Medicina para a Geografia como se fosse um verdadeiro especialista nas duas. Esse livro é a maior prova disso.
Após apresentar cada aspecto, não deixa de avaliar como ele tem sido tratado pelos nossos governantes, levando em conta sempre os lados positivos e negativos. Justamente por operar dessa maneira que o livro se tornou um tanto polêmico. Na última parte, destinada a analisar as políticas de desenvolvimento criadas na história da Amazõnia recente, Djalma critica o Banco da Amazônia, a Sudam e a Zona Franca de Manaus. Bom lembrar que essas instituições foram implementadas na Amazônia á pouco tempo e estávamos vivendo o momento do regime militar.
Esses são apenas alguns dos motivos que fazem desse seu livro essencial para todo aquele que procura conhecer e pensar realmente sobre a Amazônia. Muitos tem dito que Djalma é um homem á frente de seu tempo, principalmente por defender uma teoria ecológica antes mesmo do próprio movimento ecológico formulá-la completamente. Suas avaliações também eram altamente lúcidas, prevendo os efeitos desastrosos das políticas de desenvolvimento imediatistas como o inchamento das capitais e esvaziamento do interior, além da violência e da crise da infra-estrutura urbana.
O grande amazonólogo era sim um inovador, mas mesmo assim não fugia das influências do seu tempo. Djalma defendia um projeto nacional-desenvolvimentista, ideologia criada na década de 1950 e levada á cabo pela ditadura militar. Um dos pressupostos básicos dessa ideologia é acabar com o subdesenvolvimento através da industrialização, integrando o Brasil e não mais existindo aquele dualidade entre o Brasil urbanizado e rico e o Brasil pobre e rural. Ainda assim, Djalma não engole simplesmente a ideologia desenvolvimentista, repetindo o que os outros vinham dizendo. O intelectual a adota, mas antes critica alguns pontos que considera equivocados como considerar como desenvolvimento apenas o crescimento do poder aquisitivo. Para Djalma, o desenvolvimento é um processo mais amplo que envolve a política, a sociedade e a cultura.
A leitura de Complexo da Amazônia, portanto, é mais do que recomendada.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Uma sociologia da exclusão

Há mais ou menos um ano, entrei em contato com a obra de Robert Castel. Castel, sociólogo francês nascido em 1933 e formado pela tradicional Escola de Altos Estudos Sociais da França, que nos deu nomes como Levi-Strauss e LeGoff, por exemplo.


Li apenas um de seus livros, As Metamorfoses da Questão Social: Uma Crônica do Salário (Ed. Vozes, 1997). Questão social era como convencionou-se a chamar as preocupações suscitadas pela emergência do proletariado na Europa do século XIX. Preocupações sobre o trabalhador, que cada vez mais tomava consciência de seu peso político, e sobre o seu oposto, o vagabundo, que também representava um perigo em potencial, sinônimo de crime e insurreição. Castel vai mais longe e diz que essas preocupações sempre existiram, são intrínsecas a toda sociedade. Toda sociedade se preocupa com aqueles personagens que podem abalá-la.

O sociólogo mostra isso ao analisar a história da Europa, principalmente da França, com base nos estudos dos maiores nomes da Escola dos Annales. Assim que uma sociedade cresce, torna-se complexa, ela deixa de se autor-regular. Foi o que aconteceu na Idade Média. Para deter os trabalhadores e os pobres, a Igreja e o Estado, que vinha se consolidando, criaram medidas variadas de controle. As mais famosas vieram com o Antigo Regime, séculos depois: os asilos, as associações de caridade, etc.
O Estado geralmente toma a frente nas medidas, mas a partir do século XIX a iniciativa privada também participa do "jogo", por meio das associações de caridade e as sociedade de socorro, no caso dos trabalhadores. Chegamos aos nossos dias, num contexto de neoliberalismo, onde o papel do Terceiro Setor é forte através das ONGs, principalmente sobre o que fazer com os excluídos. O mesmo acontece na área dos "incluídos", os trabalhadores, sendo que aqui a iniciativa privada também adquire importante proeminência.
Castel revisita o termo exclusão, usado a torto e direito nas ciências sociais mundiais. Ninguém está excluído, mesmo os ditos excluídos, aqueles que não participam da sociedade seja produtivamente ou politicamente, pois eles estão dentro de uma rede de relações sociais. Os excluídos estão dentro da sociedade, a mesma que os cria. A oferta de trabalho, as crises, o estado de desenvolvimento de cada país, tudo isso ajuda a "fabricar" excluídos.
Parte da tese de Castel é justamente de que o capitalismo reproduz essa desigualdade e de que a estabilidade é um mito: o "incluído" pode ser facilmente "excluído". A partir da consolidação da Revolução Industrial, as corporações de ofício, responsáveis por proteger os trabalhadores, somem, assim como a idéia de uma sociedade estamental, onde cada um nasce e morre numa esfera da sociedade. Agora temos uma vulnerabilidade de massas, alguém que nasceu nobre pode se tornar pobre.

Essa vulnerabilidade só aumenta com o tempo e assim temos hoje um cenário onde o desemprego é uma realidade de muitos países, até os que se dizem mais desenvolvidos. O mercado pede profissionalização, as entidades trabalhistas se enfraqueceram e as flutuações na economia internacional só ajudam o desemprego. Assim temos uma grande parte da população que vive no mercado informal ou na sua própria subsistência. A realidade, para Castel, é essa: os "in" podem facilmente estar "out", apesar que precisamos relativizar ainda esse "out".

sábado, 7 de novembro de 2009

Desenvolvimento: o conto da carochinha moderno

Ontem, sexta, tivemos o privilégio de assistir uma palestra do professor Sílvio Luiz Costa sobre seu livro Taubaté: o local e o global na construção do desenvolvimento
Tanto o livro como a palestra foram ricos de questionamentos, reflexões e aprendizado. Estou certo de que essa experiência despertou em muitos colegas de sala o interesse pela pesquisa em história regional.
Em linhas mestras, o prof. Sílvio analisou a instalação de indústrias na cidade através de uma análise crítica do desenvolvimento. Que análise seria essa? Baseado em autores como Boaventura Santos, Giovanni Arrighi e Amartyas Zen, o autor questionou essa visão de que a industrialização gera desenvolvimento, de que desenvolvimento representa crescimento econômico e não melhoramento das condições de vida da população.
Essa imagem questionada pelo prof. Sílvio faz parte de uma imaginário, estando presente tanto na política como no resto da população. Daí decorre de que todos clamem a industrialização como motor do desenvolvimento e o "bom emprego". É essa mentalidade que faz as prefeituras, como as de São José dos Campos e Taubaté, entrarem na conhecida guerra fiscal (concessão de benefícios fiscais para a instalação de indústrias em seu território).
Por meio de dados empíricos, o autor mostra que a geração de empregos prometida pelas empresas e pelo discurso político não aconteceu. Acentuou-se as desigualdades locais; bairros operários foram criados e continuaram sem investimento tanto da prefeitura como das empresas na sua infra-estrutura.
O estudo do prof. Sílvio Costa não é apenas um trabalho sobre a história regional, ele serve como uma espécie de análise da realidade de muitos governos municipais pelo Brasil e uma constatação de que políticas imediatistas e que se concentrem em um só setor sempre saem pela culatra.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Café e Indústria

Warren Dean foi o responsável por um estudo que foi um verdadeiro divisor de águas não só na história de São Paulo como do Brasil. Estamos falando de A industrialização de São Paulo.

Vou procurar resumir nesse post alguns pontos principais do livro.
A tese principal, que permeia o livro inteiro, é de que o complexo cafeeiro, tudo que sustentava e era sustentado pela exportação do café, incentivou a industrialização de São Paulo.
Como? Através dos próprios cafeicultores, que decidiam diversificar seus negócios fazendo fábricas, dos importadores, que tinham oficinas para darem um acabamento nos produtos antes de comercializá-los, e nos imigrantes, que eram chamados para trabalhar tanto nas oficinas dos importadores como nas pequenas fábricas dos cafeicultores ou mesmo no comércio informal.
Os industriais, no entanto, custaram a ser valorizados, uma vez que seus produtos cultivavam uma imagem de baratos e inferiores (quando comparado aos estrangeiros) e eles ficaram conhecidos como oportunistas. Tanto para adquirir capital como status, essa elite emergente começou a se fundir com a tradicional aristocracia do café.
É essa relação profundamente íntima com o café que fará os industriais ficarem por muito tempo sem uma consciência de si mesmos; eles se achavam uma parte da elite do café. Essa demora em se reconhecerem e a partir daí se unirem para defender seus interesses perante ao Estado e á sociedade é acompanhada pelo lento crescimento da indústria, marcado por crises como a Primeira Guerra - que impedia a entrada de máquinas para aparelhar as fábricas e ao mesmo tempo a entrada dos produtos estrangeiros concorrentes - e a quebra da bolsa de Nova York em 1929.

Por isso o livro é tão antológico, ele quebra certos mitos como o de que os industriais lutavam contra a aristocracia rural que os impedia de crescer (indústria x café) e de que a Primeira Guerra Mundial ajudou o boom industrial de São Paulo baseado nas muitas fontes que pesquisou. No entanto, o trabalho de Dean é muito rico, existem várias outras informações e análises interessantes, as quais não podemos mencionar rapidamente por causa do espaço, e sua linguagem muito clara e didática. Isso tudo faz desse livro uma boa leitura garantida.

sábado, 10 de outubro de 2009

Félix Guisard: assistencialismo ou filantropia?

O fundador de Taubaté, o responsável pela sua elevação á condição de vila, foi o bandeirante Jacques Félix. Há quem diga que a cidade teve um segundo fundador: Félix Guisard.

Félix Guisard nasceu em 1862 na cidade mineira de Teófilo Ottoni. Filho de imigrantes franceses, entrou para o Seminário em Diamantina, mas teve de sair por ocasião do falecimento do seu pai em 1879. Félix e sua família foram para a Baixada Fluminense, trabalhar em uma das muitas fábricas de região. Guisard possuía conhecimento técnico em máquinas têxteis, incluindo-se em um rol comum na época do qual os industriais e fazendeiros donos de fábricas dependiam muito: o técnico de origem imigrante. Logo foi promovido a gerente.

Um amigo de seminário, Rodrigo Nazareth de Souza Reis, o convidou para visitar sua cidade: Taubaté. Aonde Lobato viu cidades mortas, Guisard viu uma mina de ouro. Já havia toda uma infra-estrutura para a instalação de uma indústria aqui: mão de obra ociosa, vias de comunicação, proximidade com os grandes centros urbanos brasileiros, produção alimentícia variada e poucos empreendedores audaciosos. O jovem gerente então decidiu criar uma fábrica aqui.
Na fundação da fábrica têxtil local, posteriormente chamada de Companhia Taubaté Industrial (C.T.I.), contaram como acionistas Guisard e seus muitos irmãos, uma firma inglesa, Nazareth de Souza, Fernando de Mattos (grande engenheiro e líder político local) e grandes fazendeiros como João Affonso Vieira e Antônio Marcondes de Moura. Fábio Ricci assim classificou a composição social da fábrica: Fazendeiros, 32,8%; Profissionais liberais, 7,0%; capital financeiro local, 12,2%, capital comercial, 12,0%, capital de pequeno industrial, 10,4%; industriários/ poupança familiar, 16,0%; capitalistas locais, 9,6%. Ou seja, ao contrário do que se pensa Félix Guisard não era "O" fundador da C.T.I. A família Guisard só foi obter o controle acionário da empresa com a retirada d ealguns fazendeiros do ramo das ações e a falência da firma inglesa (Edward Ashworth & Cia.), que a controlava antes, a partir da década de 20.


Pois bem, a empresa cresceu em capital e muito, mas Guisard não é conhecido só pelo sucesso financeiro de sua fábrica, mas principalmente por suas obras sociais. Muitas delas seriam incorporadas só 20 anos depois na CLT. Os trabalhadores tinham um turno de 8 horas diárias, nas quais paravam para almoço e lanche. Tanto na entrada na fábrica quanto na saída, o próprio Guisard vinha cumprimentar os trabalhadores e desejar boa sorte. Todo aquele que quisesse reclamar ou denunciar alguma coisa poderia fazê-lo diretamente com ele depois do expediente. Guisard criou ambulatórios, teatros, quadras para esporte, time de futebol e até colônia de férias para os seus trabalhadores em Ubatuba. Além disso contribuiu com grandes doações para o Asilo de Mendigos, o Orfanato Santa Verônica, a construção da Santa Terezinha e etc.

É nessa parte em que surge o x da questão: o que estaria por trás dessas obras: assistencialismo ou filantropismo? Os que defendem a primeira alternativa possuem como argumento a mesma utilização dessa prática por outros industriais do período, tais como Jorge Street ou Francesco Matarazzo, como meio de impedir revoltas trabalhistas e impedir que seus operários, com grande qualificação técnica, saiam de suas fábricas. Quanto á última opção há a seu favor a forte tradição católica da qual ele era credor desde os tempos de seminário em Minas, da qual a caridade é um ponto obrigatório.
Entre esses dois pontos pode existir um meio-termo: tanto o assistencialismo como a filantropia podem ter guiado ás ações do famoso industrial local. Como? Qualquer um que se ocupe de estudar a história da cidade poderá reconhecer que a filantropia é uma prática muito recorrente, principalmente no século XIX e começo do XX. Os motivos podem ser encontrados na escravidão, afinal o senhor de escravos contava com muitos dispositivos para consolidar seu domínio sobre seus escravo; a concessão de certos benefícios aos escravos e a violência dos castigos são dois lados da mesma moeda. Não se sabe porque, mas os fazendeiros do Vale, a grande maioria, adotou a primeira opção. Outro motivo contundente para a prática da caridade pode ser a forte tradição católica na região que a partir da sua romanização no começo do século passado passou a exigir a prática com mais força. Segundo Maria Cristina Soto, a família Guisard, oriunda de Minas e de ascendência francesa, só entrou para o circuito das tradicionais famílias locais através do finaciamento de certas obras assistenciais, adquirindo assim o status delas.
No entanto, o assistencialismo foi uma prática reconhecida pelos industriais do seu tempo como meio de controlar seus trabalhadores, tais quais os antigos fazendeiros do Vale, mas ao que parece Guisard se aproximou mais dos fazendeiros ao exigir que sua imagem fosse parte integrante do dia-a-dia dos seus trabalhadores. Afinal, na fazenda tudo e todos giravam em torno do fazendeiro, desde os escravos até os agregados; aqui, na fábrica, desde o momento em que o operário entra para seu turno até o jornal que lê fora do expediente em tudo está presente o Sr. Guisard.E ele, juntamente com seu filho Félix Guisard Filho, eram mestres em manipular os símbolos sociais que permeavam o cotidiano dos trabalhadores a seu favor: a festas da fábrica e dos sindicatos, os aniversários da família Guisard, o aeroclube local, os filmes selecionados para serem assistido no cinema da fábrica, a disposição da casas da vila operária de forma a serem completamente padronizadas (como a fábrica) e o famoso relógio da CTI que regulava as horas para toda a cidade.O intuito de tais obras era justamente regular a vida do trabalhador, pelo relógio ou pela arquitetura de suas casas, e discipliná-lo, através dos filmes selecionados ou dos grupos escolares da fábrica. O resultado final esperado era sempre a maior eficiência, fruto da qualificação construída pelo industrial através desses meios. E o dispositivo capaz de legitimar essa eficiência era o paternalismo e o personalismo patrocinado pelo industrial.

Com tantas obras e empreendimentos feitos pelo povo e pela cidade, para o bem ou para o mal, não é de se estranhar portanto que quando do seu falecimento, em 1942, Taubaté em peso tenha comparecido ao seu velório (70% da população local estava presente) e que até hoje muitos digam que ele foi seu segundo fundador.


Fontes: A Companhia Taubaté Industrial: a ação social, Rosimeire Santos Figueira. Disponível em: http://www.almanaqueurupes.com/estudos/guisard/cti.html. Acesso: 03 de Abril de 2009.
Pobreza e conflito: Taubaté (1860-1935). Maria Cristina Martínez Soto. Annablume: São Paulo, 2000.
Félix Guisard: capitão da indústria no Vale do Paraíba paulista.In: Origens e aspectos do desenvolvimento da indústria têxtil no Vale do Paraíba paulista, Fábio Ricci, tese de doutoramento apresentado á FFLCH/ USP, 2002.
Félix Guisard: o pioneiro da indústria taubateana, Cláudia Martins. Disponível em: : http://www.almanaqueurupes.com/estudos/guisard/guisard.html. Acesso: 03 de Abril de 2009.