"Marx deu um tiro no pé com O Capital".
(Bruno Pacífico x Anália Ferreira, sendo mediados por Fernando Fernandes)
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Bora dar um rolezinho no fuscão do Mujica? |
Nos reunimos na Cachaçaria do Dedé certa sexta feira e do nada percebemos que a conversa estava esquentando do lado de lá da mesa. Anália havia dito que Marx deu um tiro no pé ao escrever O Capital, pois ao revelar as vísceras do capitalismo e como derrotá-lo teria dado de bandeja aos seus defensores os meios de se perpetuar no poder. Foi mais ou menos assim o debate:
-Ele deu a receita para o sistema se reproduzir! Pode ver que O Capital é mais lido por economistas neoliberalíssimos que por militantes.
-Mas ele também disse os meios de combater esse sistema, forneceu subsídios pra luta continuar.
-E a luta continua?
-Claro que sim: veja a América Latina.
-Posso até estar enganada, mas muitos governos da América Latina são mais reformistas que revolucionários.
-E o Uruguai pode ser chamado de reformista? O que o Mujica tem feito lá é uma revolução. Legalizar o aborto, a maconha. Isso tudo para um mundo tão conservador quanto a América Latina é uma mudança muito radical.
Fernando falou um pouco sobre essa questão da manutenção das tradições, de como elas se repaginam para continuarem sendo perpetuadas, associando aqui a possível derrota do marxismo á essa capacidade camaleônica do capitalismo. Como o próprio Bruno questionou: será que o marxismo foi derrotado mesmo?
Ele também se adaptou aos novos tempos.
Desde os anos 80 no Brasil os escritos de Lênin, o defensor das vanguardas, foi perdendo espaço para as obras de Gramsci, o pai dos intelectuais orgânicos. Hoje não se fala mais em revolução, mas em medidas revolucionárias. Entende-se que o marxismo tem de se acostumar com a democracia liberal, que é até mesmo saudável a ele ser orientado por esse espírito democrático para não incorrer nos erros totalitários de um Stálin.
Slazov Zizek, em um artigo (ficarei devendo o nome para vocês, crianças), se pergunta: seria o capitalismo indestrutível? O que podemos fazer? Quem poderá nos salvar? Ele mesmo responde que existem muitos caminhos para se resistir a ele. A Terceira Via pode parecer um deles, mas a cada dia ela se amolda mais e mais a um discurso desideologizador. Uma esquerda democrática, ciente dos caminhos e descaminhos do regime, seria o mais adequado para aqueles que querem uma mudança realmente profunda, dizia o filósofo.
Queria ter contribuído mais para o debate e queria também reproduzir mais pontos dele aqui, mas por enquanto só me lembro disso. Talvez os amigos colaborem aqui com mais pontos de vista.
Sou Comunista, mas tenho plena consciência de que o Comunismo é utópico. O negócio é seguir em direção à ele e nisto aproximam cada vez mais do ideal de pagar o justo por um bem ou serviço. Isso é o que acredita um comunista, que jamais vai querer a simples "distribuição igualitária dá pobreza" como afirmam os desinformados.
ResponderExcluirCom certeza. Também acho que o que importa sendo comunista é menos o ponto de chegada e mais a caminhada.
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